2 de julho de 2026

Educação Socioemocional: importância na escola e na vida

Um tema do qual muito se tem falado, mas que ainda gera muitas dúvidas: afinal, o que significa Educação Socioemocional? O que é desenvolvimento socioemocional? E quais são, de fato, suas contribuições no contexto da sala de aula? Embora o assunto tenha ganhado espaço nas discussões educacionais, ainda estamos cercados por incertezas sobre como colocá-lo em prática de maneira clara e efetiva. Essa é uma temática essencial; contudo, ainda carece de mais compreensão, engajamento e consolidação nas práticas educativas brasileiras.

A Educação Emocional é uma abordagem fundamental para o desenvolvimento cognitivo, acadêmico, emocional e psicológico; uma vez que a abordagem favorece a qualidade das relações afetivas e proporciona um ambiente acolhedor e promotor do desenvolvimento integral dos estudantes, tornando a educação mais inclusiva e equitativa no processo de ensino e aprendizagem (Carneiro, 2020). 

Crianças seguram máscaras que lembram emojis expressando emoções. Fonte: Freepik.

Portanto, a promoção do desenvolvimento socioemocional se torna necessária e fundamental em todas as fases do desenvolvimento humano, constituindo formação de grande relevância tanto para a qualidade de vida quanto para a construção de sentido. É cada vez mais consensual a ideia de que a dimensão socioemocional ocupa um lugar primordial no contexto escolar, visto que existem vários documentos norteadores, internacionais e nacionais – por exemplo, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4; Base Nacional Comum Curricular (BNCC); Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) –, que destacam sua relevância formadora. 

Além disso, vivemos um mundo acelerado, em que o cotidiano virtual tende a afastar as pessoas, tornando o estabelecimento dos vínculos um processo desafiador. A Educação Socioemocional emerge como uma abordagem potente com o objetivo de buscar reverter essa condição, criando aproximações e promovendo relações humanizadas e humanizadoras. 

Ascensão do Aprendizado Socioemocional desde a década de 1990 

Em 1994, nasceu o Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning (CASEL), criado por um grupo de pessoas interessadas na educação transformadora que cunhou o termo Aprendizagem Socioemocional (Social and Emotional Learning – SEL). Desde então, o CASEL tem como propósito consolidar a Aprendizagem Socioemocional baseada em evidências como parte essencial da educação que vai da primeira infância ao Ensino Médio1 (CASEL, 2025). 

Educação Socioemocional 

Compreende um conjunto de ações essencialmente práticas e voltadas ao desenvolvimento contínuo das competências emocionais. A abordagem enfatiza a interação entre as pessoas e os ambientes, tendo como foco a aprendizagem e o desenvolvimento humano. Trata-se de uma perspectiva integradora, que reúne diferentes elementos interconectados e fundamentais para o fortalecimento das competências socioemocionais dos estudantes. 

As habilidades socioemocionais são essenciais para a formação de cidadãos e profissionais preparados para enfrentar os desafios da vida. Diversos comportamentos de risco, como o uso de drogas, a violência, o bullying e a evasão escolar, podem ser prevenidos ou reduzidos quando há esforços contínuos e integrados voltados ao desenvolvimento dessas competências ao longo da trajetória escolar. O fortalecimento das habilidades socioemocionais contribui para uma atuação mais saudável e eficaz em todos os domínios da vida, especialmente no ambiente escolar. Indivíduos emocionalmente competentes (competências socioemocionais) são capazes de lidar com as tarefas do cotidiano de maneira mais consciente, resolver problemas com autonomia e adaptar-se às complexas demandas do crescimento e do desenvolvimento humano. 

As competências socioemocionais envolvem cinco macrocompetências, conforme destacadas a seguir. 

1. Autoconsciência: identificar e reconhecer com precisão as próprias emoções e pensamentos, bem como sua influência no comportamento. 

2. Autogestão: regular as emoções e os comportamentos, controlando impulsos, gerenciando o estresse e perseguindo objetivos pessoais e acadêmicos. 

3. Consciência social: compreender e respeitar diferentes perspectivas e culturas, agindo com empatia e senso ético nas relações. 

4. Habilidades de relacionamento: construir e manter relações saudáveis, baseadas em comunicação clara, cooperação e resolução construtiva de conflitos. 

5. Tomada de decisão responsável: fazer escolhas éticas e seguras, considerando consequências e o bem-estar próprio e coletivo. 

Crianças em círculo segurando as mãos, atividade de integração e trabalho em equipe em ambiente escolar.
Crianças em círculo sobrepondo suas mãos. Fonte: Freepik.

Como psicóloga educacional, venho pesquisando a efetividade da Educação Socioemocional e acredito profundamente que a escola é um espaço potente para o desenvolvimento dessas competências. Em um mundo cada vez mais exigente e competitivo, percebo que a formação do indivíduo requer, desde a infância, além da aprendizagem cognitiva, uma abordagem integral voltada para habilidades socioemocionais. 

Falar de Educação Socioemocional é falar do futuro, de formar pessoas mais conscientes, empáticas e preparadas para lidar com os desafios da vida. 

Ao longo de minha experiência, observei que essa abordagem desenvolve competências fundamentais, tornando os estudantes conscientes de sua responsabilidade consigo mesmos e com os outros, e preparando-os para atuar de modo colaborativo e ético. 

É nesse contexto que projetos escolares estruturados se mostram fundamentais, pois auxiliam professores na implementação da Educação Socioemocional de maneira planejada e consistente, oferecendo estratégias, recursos e suporte para que a abordagem seja efetiva. Por tudo isso, acredito que a Educação Socioemocional, apoiada por projetos institucionais, deve permear todas as experiências escolares, fortalecendo a formação integral dos estudantes e promovendo ambientes educativos mais saudáveis, inclusivos e acolhedores. 


Referências 

CARNEIRO, M. D. L.; LOPES, C. A. N. Desenvolvimento das competências socioemocionais em sala de aula. Revista de Psicologia, v. 14, n. 53, p. 1-14, 2020. 

CASEL. Guia CASEL de Aprendizagem Socioemocional. Chicago: Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning, [s.d.]. Disponível em: https://casel.org. Acesso em: 15 out. 2025. 

CASEL. Our History. Disponível em: https://casel.org/about-us/our-history/. Acesso em: 17 out. 2025. 


Jilvana Godoi
Psicóloga  Clínica e Educacional | Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental
Mestranda em Promoção da Saúde | Graduanda em Pedagogia
Lattes
LinkedIn

Relacionados

É imprescindível aquele que nela se engaja com afeto e profissionalidade, entendendo que a tarefa não é para poucos dias. Apoiar estudantes em seu desenvolvimento é uma escolha para muitos dias.
leia mais
Quando a escola acolhe a família, a relação deixa de ser simplesmente de obrigação e se transforma em parceria, vínculo, pertencimento e aprendizagem.
leia mais
Professores sentem, se cansam e precisam de (auto)cuidado mental. Aspecto fundamental para o bem-estar no ambiente educacional.
leia mais
A IA generativa veio para ficar. Saiba qual é a relação entre o Consenso de Pequim e o impacto na sala de aula.
leia mais
Pensar as metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem dos componentes da área de Linguagens é obrigatoriamente pensar no desenvolvimento da autonomia e do protagonismo do estudante.
leia mais
20 de maio: celebrar o pedagogo é valorizar o profissional e reconhecer a Pedagogia como ciência da educação.
leia mais
Alfabetização não se resume ao ensino do código escrito: é preciso promover o letramento literário, fundamento essencial para formar leitores. 
leia mais
Avaliação continuada e acompanhamento individual dos estudantes estão no centro da proposta.
leia mais
É imprescindível aquele que nela se engaja com afeto e profissionalidade, entendendo que a tarefa não é para poucos dias. Apoiar estudantes em seu desenvolvimento é uma escolha para muitos dias.
leia mais
Quando a escola acolhe a família, a relação deixa de ser simplesmente de obrigação e se transforma em parceria, vínculo, pertencimento e aprendizagem.
leia mais
Professores sentem, se cansam e precisam de (auto)cuidado mental. Aspecto fundamental para o bem-estar no ambiente educacional.
leia mais
A IA generativa veio para ficar. Saiba qual é a relação entre o Consenso de Pequim e o impacto na sala de aula.
leia mais
Pensar as metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem dos componentes da área de Linguagens é obrigatoriamente pensar no desenvolvimento da autonomia e do protagonismo do estudante.
leia mais
20 de maio: celebrar o pedagogo é valorizar o profissional e reconhecer a Pedagogia como ciência da educação.
leia mais
Alfabetização não se resume ao ensino do código escrito: é preciso promover o letramento literário, fundamento essencial para formar leitores. 
leia mais
Avaliação continuada e acompanhamento individual dos estudantes estão no centro da proposta.
leia mais