Fazer educação, viver a educação, pensar a educação, pesquisar a educação a cada dia é missão para a vida toda! É imprescindível aquele que nela se engaja com afeto e profissionalidade, entendendo que a tarefa não é para poucos dias. Apoiar crianças, jovens e adultos em seu desenvolvimento é uma escolha para muitos dias. Não se constroem resultados na vida das pessoas como um toque de mágica!
Em 28 de abril comemora-se o Dia da Educação, e esta é mais do que uma data simbólica no calendário: é um convite à reflexão profunda sobre o papel transformador da educação na vida individual e coletiva. Celebrá-la é reconhecer que constitui a base sobre a qual se constroem sociedades mais justas, democráticas e humanas. É também um momento para reafirmar compromissos, revisitar práticas e renovar esperanças diante dos desafios persistentes que atravessam escolas, universidades e todos os espaços de aprendizagem.
A educação, em seu sentido mais amplo, não se restringe às salas de aula ou aos conteúdos formais. Ela se manifesta nas relações sociais, nas experiências cotidianas, na cultura, na linguagem e nas múltiplas formas de interação humana. Desde cedo, aprendemos a interpretar o mundo, a atribuir significados às nossas vivências e a nos posicionar diante das realidades que nos cercam. Nesse contexto, educar possibilita a construção de sentidos, a formação da consciência crítica e o desenvolvimento de uma pessoa por inteiro.
Ao pensar a educação como prática social, é impossível ignorar sua dimensão política. Toda ação educativa carrega valores, intenções e visões de mundo. Por isso, celebrar o Dia da Educação também implica questionar: que tipo de sociedade estamos ajudando a formar? Que vozes estão sendo ouvidas ou silenciadas? Quais objetos do conhecimento são valorizados e quais são desconsiderados? Essas perguntas são essenciais para que a educação não se torne um instrumento de reprodução de desigualdades, mas sim um caminho para sua superação.
Jacques Delors liderou uma comissão internacional sobre educação para o século XXI que resultou em um relatório para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Essa comissão adotou quatro aprendizagens fundamentais como pilares da educação para o novo século – aprender a ser, fazer, conhecer e conviver com o outro –, que têm sido amplamente divulgadas e discutidas nos meios educacionais há vários anos. Se nos voltarmos para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) encontraremos o compromisso com a educação integral descrito nesse documento. É consenso para a maioria das pessoas que a educação não se constrói de forma unilateral e não pode considerar uma única dimensão do ser: desenvolvimento físico, cognitivo, emocional, social e espiritual fazem parte da totalidade humana.
O processo educativo pode promover a emancipação dos sujeitos, permitindo que eles compreendam criticamente a realidade e atuem para transformá-la. A educação, portanto, não pode ser reduzida a um ato mecânico de memorização ou repetição. O diálogo se estabelece como elemento central, não apenas como técnica pedagógica, mas como postura ética que valoriza a escuta, o respeito e a construção coletiva do conhecimento. Minha professora de Currículo na pós-graduação havia convivido muitos anos com Paulo Freire, e ela dizia sempre que, para ele, a educação não era pautada pelo diálogo, “Educação é diálogo”! E um diálogo aberto, interdisciplinar, intercultural, atemporal, contínuo e sem barreiras.

Celebrar e valorizar a educação implica, necessariamente, valorizar os profissionais da educação, garantindo-lhes condições dignas de trabalho, formação continuada e reconhecimento social.
Entretanto, a responsabilidade pela educação não recai apenas sobre os educadores. Ela é um compromisso coletivo que envolve famílias, comunidades, instituições e o poder público. Investir em educação é investir no futuro, mas também no presente. É criar oportunidades, reduzir desigualdades e fortalecer a cidadania. É garantir que cada pessoa tenha acesso ao conhecimento e às ferramentas necessárias para desenvolver plenamente suas potencialidades.
No mundo contemporâneo, marcado por rápidas transformações tecnológicas e sociais, a educação enfrenta novos desafios. A circulação acelerada de informações exige a capacidade de análise crítica, a seleção criteriosa de fontes e a construção de conhecimentos com responsabilidade ética.
Nesse contexto, celebrar o Dia da Educação é reafirmar sua centralidade na construção de um mundo mais humano. É reconhecer que aprender é um processo contínuo, que se estende por toda a vida. É valorizar tanto o acúmulo de conhecimentos como a capacidade de questionar, criar e transformar.
E, por mais que essa educação inicialmente seja formal em escolas e universidades, é desejável que continue a despertar no indivíduo a vontade de aprender ao longo da vida em busca do desenvolvimento integral.
Juntos, celebremos a educação! Sempre!
Referências
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1987.
FREIRE, Paulo. Concepção dialética da educação: um estudo introdutório. São Paulo: Cortez, 2000.
FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
Profa. Dra. Cristina Zukowsky Tavares
Currículo Lattes











